terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bauru, esta cidade merece um filme...

O dia que a Nações explodiu

Não se trata de lenda urbana, nem de “história para boi dormir”. A avenida Nações Unidas, literalmente, explodiu. E mais, explodiu em uma sexta-feira, dia 13 de agosto, sendo os detalhes desta explosão tão bizarros como uma seqüência de filmes catástrofes. A sorte é que não houve vítimas. Para piorar a situação, a avenida explodiu no dia da visita de um presidente da República, em plena ditadura militar. O JC nos Bairros pesquisou e encontrou a história, publicada nas páginas do Jornal da Cidade, do dia 14 de agosto de 1976.

Conforme noticiou o JC da época, tudo começou com um acidente envolvendo um caminhão-tanque, na quadra 2 da alameda Otávio Pinheiro Brisolla. O veículo perdeu o freio e tombou na rua, despejando cerca de 20 mil litros de gasolina azul. O combustível escorreu pelas bocas-de-lobo da alameda, atingindo a rua Joaquim da Silva Martha e posteriormente a tubulação da Nações, onde passa o ribeirão das Flores.

As águas levaram o combustível até perto do viaduto por onde passa a linha férrea, onde funcionava a empresa White Martins, em frente ao estacionamento do Poupatempo. Ali, por volta das 12h50, começaram as explosões. Ao todo, foram quatro. Além da primeira ocorrida próximo à rua Inconfidência. A segunda ocorreu entre as ruas Marcondes Salgado e Presidente Kennedy, a terceira explosão aconteceu na esquina da Nações com a Rodrigues Alves, e por fim, próximo ao local onde atualmente está o Supermercado Paulistão.

Para se ter uma idéia de como ficou o clima em Bauru, com as explosões ocorridas na Nações, houve suspeita até de atentado político, algo inusitado já que, quando começaram as explosões o então presidente Ernesto Geisel já tinha deixado a cidade, com destino a Jaú, acompanhado do governador Paulo Egydio, que ocupava o Palácio dos Bandeirantes na ocasião.

Mesmo assim, as autoridades federais investigaram essa possibilidade. Nosso colega de JC, o editor de fotografia, Quioshi Goto, conta que o Serviço Nacional de Informação (SNI) “requisitou” os filmes das fotos feitas por ele na época. “Foi publicado no jornal, depois eles levaram os filmes”, lembra. Ou seja, os únicos registros daquela época estão nas páginas do JC, já que os negativos foram confiscados pelos agentes.

Outro colega de JC, o jornalista Leonardo de Brito, conta que tinha acabado de atravessar a avenida Nações Unidas quando as explosões ocorreram. “Eu estava vindo para a redação, tinha acabado de passar pela Nações quando ouvi o estouro. Tomei um susto”, conta.

Trecho de reportagem retirado do JCNET: http://www.jcnet.com.br/busca/busca_detalhe2007.php?codigo=118367

Quem achou e me enviou esta reportagem foi minha amiga e também Bauruense Tatiana Bianconcini

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